segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Granada, Espanha - A primeira semana...

Vou dar um tempo nos relatos do meu mochilão pela Europa em 2010 para poder relatar a minha viagem para a Europa agora em 2013.

Eu escolhi Granada, cidade que fica na Andaluzia, na Espanha, como destino para fazer meu intercâmbio. Na verdade, minha intenção era ir para o Canadá, mas na falta de opções que tinham na UFF, acabei parando aqui. E como tudo na minha vida, nada sai como planejado primeiramente, mas no final, termina melhor do que eu poderia esperar.

O caminho até aqui foi longo.

Quando fui comprar as minhas passagens, elas estavam carésimas. A menos cara era com stop nos Estados Unidos (meus vôos seriam Rio-Miami-Madrid-Granada). Como a data coincidiu com a que a minha mãe e minha tia estavam indo para Miami, comprei essas mesmo e aproveitei e fiquei uns dias em Miami com elas, afinal, quem não gosta de aproveitar uns diaszinhos em Miami e fazer umas comprinhas?

O meu vôo era American Airlines, o delas Tam, e a princípio eu chegaria no aeroporto 2 horas antes delas. Digo "a princípio", porque é claro, como queridinha de Murphy, algo sempre tem que acontecer comigo. Depois de cerca de 2h de vôo, um homem começou a passar mal no avião e tivemos que voltar para Brasília para fazer um pouso de emergência. Não nos disseram exatamente a causa dele ter passado mal, mas os rumores dentro do avião eram que ele tinha bebido exageradamente. Enfim, pousamos em Brasília e achávamos que logo levantaríamos vôo de novo. Mas não. Ficamos parados 3h em solo, sem poder sair do avião, enquanto esperávamos um mecânico vir inspecionar a aeronave e finalmente liberá-la novamente para voar. E nisso minha mãe e minha tia já estavam voando também e eu não tinha como avisar do atraso. A sorte foi que eu, entediada, resolvi postar no Facebook sobre o que aconteceu e uma amiga conseguiu avisar a elas. (Obrigada, Jack!)

Bom, depois disso o vôo correu bem e cheguei no aeroporto sem problemas. Achei que a imigração de Miami iria pegar um pouco no meu pé, por estar indo sozinha para lá, mas nunca fui tão bem tratada pela imigração dos EUA. Não me perguntaram praticamente nada e o policial ainda me elogiou por falar mais de uma língua.

Enfim,  encontrei com elas e acabei ficando em Miami por 4 dias, e foi uma delícia. Na hora de ir embora que deu aquele aperto no coração, e foi aí que a ficha começou a cair que eu realmente iria ficar seis meses longe de casa, numa cidade que eu não conhecia nada nem ninguém, falando uma língua que apesar de ter facilidade, não falava há mais ou menos 6 anos.

O vôo Miami-Madrid ocorreu sem maiores problemas. Muito pontual, apenas trocaram o meu assento de lugar e me colocaram na última fileira, de cara para o banheiro. O avião estava lotado, não tinha nem mais espaço para colocar a mala de mão. Percebi que o assento de emergência da primeira fileira estava vazio e perguntei ao comissário se eu podia ficar lá, já que tinham mudado o meu lugar sem nem me avisar. Ele disse que sim, desde que não aparecesse ninguém. E não apareceu! =D

Sentou uma velhinha fofa no meu lado e eu viajei com um monte de espaço para as pernas, mas não consegui dormir (o vôo saiu de Miami às 18h).

Chegamos em Madrid, a diferença de fuso já mexendo com o meu organismo. Aqui na Espanha estamos 6h na frente dos EUA, 5h na frente do Brasil. Então, quando cheguei em Madrid, apesar de já ser 9h da manhã aqui, para mim ainda eram 3h da manhã, e eu ainda não tinha dormido.

O aeroporto de Madrid, Barajas, é imenso. Muito, muito grande. E não tem muita informação, tive que sair perguntando como faria para conseguir pegar a minha conexão. Tinham falado que a imigração seria em Madrid e a alfândega em Granada, mas eu não fiz alfândega em lugar nenhum. Sobre a imigração em Madrid, disseram que eles eram super chatos aqui na Espanha, principalmente com brasileiros. Olha, se eu contar que o policial nem olhou na minha cara e carimbou o meu passaporte bem em cima do meu visto espanhol (porque eu tinha dado a ele aberto na página do visto), vocês acreditam? Ele nem respondeu o meu "Buenos Dias".

O avião que leva de Madrid à Granada é minúsculo, parece até ônibus, até a mala de mão temos que colocar no bagageiro que fica embaixo do avião. Mas o vôo leva apenas 40 min e eu estava tão, tão cansada que nem reparei se sacode mais que o normal.

Cheguei em Granada no horário previsto. O aeroporto daqui é minúsculo, mas o nosso vôo veio bem cheio e na hora de pegar um taxi foi um salve-se quem puder. Agora eu sei que aqui na cidade tem muuuuitos taxis, mas na hora que chegamos no aeroporto, eles demoravam demais para passar.

Finalmente cheguei no meu apartamento, que eu tinha alugado pela internet. Eu conheci uma brasileira que já morava aqui, a Paula, que desde então tem sido um anjo em minha vida. A Paula veio conversar com a caseira do apartamento, pegou a chave do meu quarto para mim e veio aqui trazer quando eu cheguei. Pois é, uma fofíssima.

O apartamento acabou sendo bem melhor do que eu imaginava, enorme, com um terraço bem grande. Eu divido com um italiano de Nápoles, Carmine, e uma espanhola de Málaga, Eli. Eles são uns amores, e o melhor de tudo, super organizados e limpinhos. hahaha

Quando eu cheguei aqui, num domingo, estava tudo fechado.

Aqui em Granada nada abre domingo. Se você chega e quer fazer compras no mercado, prepare-se para passar fome, porque eles não abrem. Isso, junto com o fato da cidade ser completamente diferente de tudo que eu já tinha visto, misturado com o cansaço e perceber que eu realmente não conhecia nada nem ninguém e que ficaria aqui por 6 meses, me bateu um pequeno desespero. Eu já fiz intercâmbio antes, mas foi completamente diferente. Eu fui trabalhar no Universal Studios em Orlando, mas eu fui com o apoio da agência e com outras 48 pessoas que eu já tinha conhecido no Brasil. Aqui, sou eu e eu.

Ou assim eu pensava.

Logo eu descobri que só fica solitário em Granada quem quer.

A cidade tem um quarto de sua população de estudantes, além da Universidad de Granada ser a universidade da Europa que mais recebe estudantes internacionais. Ou seja, existem centenas de pessoas aqui na mesma situação que eu.

Uma cidade universitária tem dois pontos bastante claros: as coisas são bem mais baratas que cidades grandes normais (aqui a cidade é bem pequena, se faz tudo andando, mas parece cidade grande, porque tem todas as grandes lojas e redes de fast-food) e... TEM FESTA TODOS OS DIAS.

Quando eu digo todos os dias, são todos. os. dias. De segunda a segunda.

Tem uns três grupos diferentes que sempre organizam os encontros e as festas. O melhor de tudo é que quando você sai com os grupos, você não paga para entrar nas boates, e lá dentro, um shot de tequila ou jager, por exemplo, custa €1! O mesmo para cerveja (e as cervejas são sempre top).

Na segunda-feira eu conheci a Eli, minha compañera de piso, e saímos para comer tapas e beber cerveza em um bar aqui perto de casa. Ah, aqui em Granada você pede uma cerveja e eles trazem tapas de graça. Tapas são pequenas porções de comida para você fazer degustação. Alguns lugares trazem alguma coisa aleatoriamente, outros eles deixam você escolher. Tem de tudo: queijos, croquetes, pizza, batata-frita, tortilla... Nesse dia o Carmine, o outro compañero de piso, fez um jantar de boas-vindas, e ainda conheci uma espanhola amiga da Eli e uma inglesa que eu só conhecia pelo Facebook, a Amber.

Cerveza y tapas

Na terça-feira, fui encontrar com um brasileiro da UFF, o Jonathas, que já tinha chegado aqui há duas semanas e estava super enturmado. O pessoal combinou de se encontrar em uma pizzaria com pizza a metro (as pizzas realmente tem um metro de diâmetro! E são deliciosas!)



Lá eu conheci muita gente legal: holandeses, belgas, alemães e duas mexicanas que são duas das pessoas mais fofas que já conheci, a Elena e a Danya. Depois de comer, fomos comprar bebidas e beber num lugar chamado "Botellodromo", que é o único lugar público da cidade que é permitido beber. Foi aonde eu aumentei meu vocabulário alemão e aprendi palavras lindas e delicadas como "fotze" e "schiss". De lá, partimos para uma boate, que eu achei ótima. Tocava todos os tipos de músicas. Tocou até Gusttavo Lima! (não que isso tenha tornado a boate melhor hahaha).

Botellodromo

Na quarta-feira, encontrei com a Paula, que estava empolgadíssima porque tinha entregue a tese de mestrado e tinha passado. Saímos para comemorar, claro!

Muchos chupitos de €1.

Celebrating

Quinta-feira foi dia de descansar, porque a idade já está pesando e o bolso ficando cada dia mais leve.

Na sexta-feira, a Jéssica e a Letícia chegaram para visitar Granada. Elas são duas brasileiras super fofas também, da UFF, que estão morando em Madrid.

E lá vamos nós mostrar a cidade (na sexta-feira, já estava me sentindo totalmente em casa e queria que todos adorassem a cidade, como se fosse minha mesmo) e comer tapas.


Tapas, chupiteria (loja especializada em shots, com mais de 100 tipos, todos por €1) e mais boate. Detalhe, a boate fica dentro de uma cova num topo de uma montanha, me senti fazendo uma trilha para chegar lá.

Sábado de manhã acordamos e fomos turistar, porque até então eu praticamente só conhecia o centro da cidade. A Elena e a Danya encontraram com a gente também.

Nossa primeira parada foi no bairro de Albaícin, um bairro árabe muito legal.


As lojas vendem produtos árabes típicos, e são lindas, cheias de lanternas, chás e produtos feitos com couro. Os preços são uma maravilha também!



Eu fiquei enloquecida e saí tirando fotos, até o vendedor vir resmungar dizendo que não podia. Ahhhhh!



Saímos andando para dentro do bairro, que é cheio de ruelas encantadoras.



As casas são todas bonitinhas, e entre uma ruela e outra, você encontra mansões. O que eu achei mais engraçado foi ver alguns carros lá em cima. Realmente não sei como chegaram lá.




Continuamos caminhando e avistamos a Alhambra ao longe. A Alhambra (pronunciada Alámbra, sem o H) é o principal monumento de Granada e o ponto turístico mais visitado da Espanha. Se um dia você vier a Granada e quiser visitar o famoso castelo, é bom comprar o ingresso com antecedência. Eles começam a vender 3 meses antes, e nós fomos ver para irmos no sábado e já estavam com quase todos os dias esgotados até dezembro!


Queríamos ver a Alhambra mais de perto e também conhecer Sacromonte, o lugar onde existem várias cavernas que servem como hotéis, restaurantes e boates.

É claro, lá vamos nós para mais subidas e caminhadas.


Mas chegando lá a vista super vale a pena.

Alhambra


Sacromonte me lembrou bastante a Grécia, ou pelo menos a minha imagem da Grécia, já que nunca fui lá. :P São várias cavernas de pedra, pintadas de branco.




Depois de passear, começamos nossa caminhada de volta para casa, pois a essa hora já estávamos super famintos.


Chegando lá em baixo vimos que estava tendo um casamento, e achamos muito engraçado como as pessoas de vestem diferente aqui para casamentos. Todo mundo com roupas chamativas e chapéus espalhafatosos.





Almoçamos em um restaurante português muito bom (e barato!) que tinha numa pracinha perto da Carrera del Darro, a rua mais bela da cidade.



Estou aqui há apenas uma semana, e no meu primeiro dia eu tinha muitas dúvidas de como seria a minha adaptação. Hoje, mesmo ainda tendo muitas e muitas semanas pela frente, já sei que quando voltar para casa, vou morrer de saudades daqui!







segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Castelo de Neuschwanstein - Alemanha

Já passou das duas da manhã e amanhã (hoje) eu trabalho cedo, mas a minha viagem está chegando e a ansiedade não me deixar dormir. Além de tudo, eu quero terminar esses relatos antes de viajar (vou ter que ser rápida, já que eu viajo em apenas uma semana)!

O Castelo de Neuschwanstein merece um post só para ele. E pensar que nós quase, por muito pouco, deixamos de ir visitá-lo... nossa, acho que seria um dos meus maiores arrependimentos da vida se nós tivéssemos desistido do passeio. Nós saímos sempre e chegávamos tarde em Munique, e o passeio ao Castelo estava agendado para às 7 da manhã. Fomos praticamente viradas, mas fomos (ainda bem!).

Carinhas de sono

Como nós ficamos em um alojamento de estudantes, sempre tem passeios de grupo nos finais de semana. Nós pagamos 20€ pelo passeio e no valor estava incluso todos os passes de trem, a entrada no castelo e o guia. O guia era o menino responsável pelo alojamento, que acabou ficando nosso amigo.

O Castelo fica perto das cidades de Hohenschwangau e Fussen, mas o trem não vai direto para lá, nós paramos em um cidadezinha e tivemos meia hora para lanchar enquanto esperávamos o próximo trem. Não me perguntem o nome da cidade, como podem ver, na Alemanha os nomes são um tanto quanto complicados, mas ela era uma gracinha.




De lá pegamos o outro trem e não demorou muito para chegarmos à estação perto do castelo (e nesse troca-troca de trem, não conseguimos dormir nadinha no caminho). O total da viagem foi cerca de duas horas e pouca, mas valeu cada minutinho, porque quando chegamos lá, era o lugar mais lindo que eu já vi na minha vida!



O lugar parece que saiu de dentro de um livro de conto de fadas, ou talvez de uma tela de um pintor famoso. Como estava muito frio, estava todo coberto pela neve, o que na minha opinião, deixou todo o cenário ainda mais mágico. Eu vi fotos dele no verão e continua lindo, mas para mim nada vai superar ver o castelo assim, cercado por essas árvores cobertas de neve. 



Lá da cidade podemos avistar também o Castelo de Hohenschwangau (mas eu achei o de Neuschwanstein muito mais bonito).

Castelo de Hohenschwangau

Chegando lá somos direcionados para uma subida que leva ao castelo. Em dias sem neve eles tem umas charretes que levam as pessoas por um preço (que não lembro o quanto era), mas como estava tudo coberto, a única maneira de chegar no topo da montanha onde ficava o castelo era caminhando (e era uma longa caminhada)!

Início da subida!

A subida foi longa e chegou uma hora que eu achei que não ia aguentar, mas fomos firmes e quando chegamos lá em cima, estávamos até com calor!



Mas, foi só ficar parada um pouquinho que bateu o frio de novo. Eles tem uns banquinhos em uma área reservada onde você pode sentar e aguardar com aquecedores em volta, porque eles chamam um grupo de cada vez para entrar.

Nós ficamos nos divertindo com a neve (aquelas pessoas que estão acostumadas com inverno de 25˚C).



Não demorou muito e chamaram o nosso grupo. Não acho que era liberado tirar foto dentro do castelo, porque eu não tenho absolutamente nenhuma foto lá de dentro.

O Castelo de Neuschwanstein foi construído na metade do século XIX por Ludwig II, Rei da Baviera (mas ele morreu antes da obra terminar) e serviu de inspiração para Walt Disney criar o castelo da Bela Adormecida (eu disse que parece conto de fadas, apesar de que com essa neve toda o castelo me lembrou muito mais da Bela e a Fera, naquela cena que a Bela tenta fugir... :P). Ludwig II era chamado de Rei Louco, apesar de nunca saberem ao certo se ele realmente tinha alguma doença mental, já que nunca fizeram nenhum exame médico. 

Ludwig II era conhecido pela sua excentricidade e isso se reflete bem dentro do Castelo, tudo é um tanto quanto exagerado. O que eu achei mais legal é que eles realmente mantiveram todos os aponsentos como eram naquela época. Versailles também é um pouco assim, mas achei Neuschwanstein mais fiél nesse sentido.

Quando saímos do castelo somos guiados para descer de volta à cidade, por um caminho diferente. Descer todo santo ajuda, né? Mas descer na neve escorregadia não é mole, não! O guia perguntou se alguém queria colocar um anti-derrapante no sapato e é claro, eu disse que sim.



Botas super fashion... hahaha (mas esquentavam o pé!)

Seguimos caminhando e chegamos a uma ponte, completamente coberta de neve. Era super estreita e não muito recomendável de olhar para baixo. Isto é, se você tem vertigem quando percebe o quão alto você está, sobre uma ponte pequena que não parece ser assim tão confiável.



Na foto não dá para ter muita noção de como era alto.

Mas é lá também que tem umas das mais belas vistas do castelo.



E quando eu achava que não tinha como ficar mais lindo, sou surpreendida. Não tem nem como descrever como era a vista lá de cima, ao entardecer, a pequenina cidade lá em baixo coberta de neve e banhada pela luz dourada do sol.


A cada passo que dávamos, parecia que estávamos em frente à uma pintura.


E como toda criança em sua primeira viagem com neve, não pude deixar de tentar fazer um anjo de neve (palavra-chave: tentar).

Fail

E o mais legal (e ainda bem que demos a câmera para uma pessoa genial que conseguiu fazer as fotos contínuas, que fez o efeito ficar ainda melhor) foi quando balançaram a árvore que estava em cima de gente.





Finalmente chegamos na cidade de novo, lanchamos e voltamos para Munique. Nós comemos pizza e fomos zoadas a viagem de volta inteira por colocarmos ketchup, já que isso é uma coisa inaceitável para os europeus - principalmente porque tinham italianos no grupo. Nós nem ligamos, estávamos felizes e contentes com o nosso passeio e por finalmente poder sentar e comer. 

Enfim, quem vai à Baviera não pode deixar de fazer esse passeio! É imperdível! Vale muito a pena!


Próxima (e última) parada: Londres.