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sábado, 4 de janeiro de 2014

Viver e Estudar em Granada, Espanha




Ok, eu sei que estou super em falta com o blog, mas... eu já escrevi a segunda parte do Marrocos e prometo postar em breve!


Muita gente me pergunta sobre como é viver e estudar em Granada, e eu tenho enrolado e enrolado para fazer esse post, mas agora, quase 4 meses depois, acho que está mais do que na hora de escrever (até porque o pessoal do segundo semestre daqui a pouco já está chegando).

Como eu escrevi há um tempo atrás, eu não escolhi Granada. Granada me escolheu. Minha primeira opção era Canadá. Como não consegui ir para lá, me sobraram Espanha e Portugal. Eu não queria Portugal porque queria um lugar com uma língua diferente, então só me sobrou mesmo Espanha (eu gostaria muito de ter ido para França ou Alemanha também, mas infelizmente nem meu francês e muito menos o meu alemão são bons o suficiente para assistir aulas nesses países).  Da Espanha, se eu pudesse escolher na época, certamente iria para Madrid ou Barcelona, porque na minha cabeça, ficar em cidade grande (com aeroporto grande) seria muito melhor. Ainda bem que eu não tive essa opção! Acabei em Granada, e eu não poderia estar mais feliz.

Meu maior medo de ir para uma cidade “pequena” era acabar presa lá e não conseguir viajar pela Europa. Como vocês vão ver nesse blog, não tive esse problema vivendo em Granada.  hehe Mas explico melhor como viajar pela Europa vivendo em Granada mais embaixo.

Vou começar desde como é para fazer o intercâmbio até como é viver lá.

Inscrição:

Existem vários programas de intercâmbio nas faculdades no Brasil. Se você estuda em faculdade pública, suas principais chances de fazer intercâmbio são pelo Ciências sem Fronteiras e o Mobilidade Internacional. Se você faz parte do grupo privilegiado que está incluído no CsF, não pense duas vezes e vá por ele. Além de ser muito mais tranquilo de conseguir ir, eles pagam literalmente tudo da sua viagem: passagem aérea, te dão €1.000 para você comprar um computador e material, pagam o seguro saúde e te dão uma mesada de €800 e poucos euros para viver em Granada (com esse dinheiro você é rei em Granada, mas explico mais um pouco a parte financeira mais para frente).

Mas, se você fizer parte do grupo de humanas como eu, sobra o Mobilidade Internacional.  No mobilidade internacional eles selecionam um pequeno grupo de pessoas e dão uma bolsa de R$8.000,00. Com o euro como está, é impossível pagar passagem e viver 6 meses na Europa (mesmo em Granada) com esse dinheiro, mas ajuda bastante. Porém, para conseguir esse dinheiro, você precisa comprovar que não tem condições de pagar a viagem e ter um CR excelente.

No meu caso, tive que me bancar mesmo.

As inscrições do Mobilidade Internacional (pelo menos na UFF) vão de dezembro a janeiro, não importa se você quer ir no primeiro ou no segundo semestre. O resultado sai lá para abril/maio. Sim, até lá é uma ansiedade sem fim.

Depois de ser aceito, você precisa ir na universidade levar documentos e assinar outros.

Depois de aprovado completamente, a Universidade que você se inscreveu lhe manda uma carta de aceite e aí é hora de pedir o visto.

Visto:

O visto espanhol é meio chato de tirar. Não que seja difícil, mas o consulado é uma bagunça. O do Rio de Janeiro fica na torre do Rio Sul e você não precisa agendar, apenas chega lá e pega uma senha. Antes de ir eu procurei em todos os lugares o que precisava levar, mas chegando lá eu descobri que precisava de muito mais coisas. E eles são super chatos quanto a tudo.

Cheguei no consulado às 8:30 da manhã, abre às 8:00, e fui atendida umas 10h e pouca. Eu não tinha levado o Imposto de Renda do meu pai (que ia me ajudar a me manter durante a viagem) e não aceitaram o meu comprovante do plano de saúde (você precisa levar o comprovante de pagamento). Eu fiz o meu plano pela internet e tinha levado apenas o comprovante online e o número da minha carteirinha. Tive que ligar para eles e pedir para enviarem diretamente um comprovante de pagamento para o consulado. Eles foram ótimos, falo do plano mais para frente também.

Enfim, depois de correr atrás de tudo, consegui voltar com todos os documentos ao consulado exatamente às 13h, quando o consulado fecha.

Lá eles pegam os documentos e cópias (se eu não esqueci: formulário preenchido, carta de aceite da universidade, comprovante de inscrição na universidade atual, passaporte com validade de no mínimo 6 meses, Imposto de Renda do último ano, extrato bancário dos últimos 3 meses, comprovante de pagamento do plano de saúde, identidade, cpf e comprovante de residência. Se você for pedir visto de mais de 6 meses tem mais um monte de coisas...) e falam para você ir buscar em 10 dias o visto. Quando você sai do consulado você não sabe se o visto foi aceito ou não, só quando vai buscar mesmo.

Eu falei que eles são super enrolados, então é bom correr para fazer assim que receber a carta de aceite da universidade. A primeira vez que eu fui busca o meu o sistema deles estava fora do ar, depois era feriado... enfim, consegui meu passaporte de volta duas semanas antes da viagem.

Plano de Saúde:

Existem diversos planos de diversos preços que cobrem intercâmbio. Tinham me indicado o Assist-Card e fiz com eles mesmo. Fazendo online saiu cerca de R$190,00 por mês para 6 meses (R$1.120,00 tudo). Vi gente que fez pelo telefone e conseguiu mais barato chorando o preço, então vale a pena tentar. Existem planos mais baratos, mas eu preferi não arriscar.

Até agora não tenho do que reclamar deles. O problema que eu tive no consulado eles resolveram assim que falei com eles, enviaram o e-mail logo depois que eu pedi.

Na minha segunda semana em Granada eu torci o pé e eles foram ótimos, rapidinho encontraram um hospital perto e mandaram tudo para lá diretamente. Eu só precisei dar meu nome e mostrar o passaporte no hospital. Fiz consulta, raio-x, enfaixaram meu pé e não precisei pagar nada.


Passagem:

Ok, esse é um problema de Granada. Tem aeroporto em Granada, mas é pequeno e normalmente as passagens para lá são bem mais caras. Você pode dar sorte (minha amiga vem me visitar e pagou R$2.000,00 e pouco), mas normalmente custam mais de R$3.000,00. O melhor vôo para Granada é o Ibéria que faz Rio-Madrid-Granada, mas você tem que dar sorte com o preço. Quando eu vi estava R$5.000,00  e acabei comprando uma com escala em Miami. Pois é.

Uma opção é pegar um vôo para Málaga, que fica a 1:30h de ônibus de Granada e normalmente é mais barato. Do aeroporto de Málaga tem ônibus direto para Granada (€11,19 o trecho), mas precisa ficar de olho nos horários. Mas, na pior das hipóteses você pode pegar um taxi para a estação de Málaga e de lá um ônibus para Granada, eles saem de hora em hora.

Outra opção é pegar um vôo para Madrid, é bem mais longe, mas também tem ônibus direto do aeroporto para Granada, leva cerca de 5h.


Apartamento em Granada:

Escolha um apartamento no centro. Mesmo que o seu campus seja em Cartuja como o meu (fica um pouco longe do centro), é melhor ficar no centro, porque você pode fazer tudo andando e fica perto de tudo: mercados, bares, boates... Eu moro no Centro e até daria ir para a faculdade andando, mas levaria uns 50 minutos e Granada é cheia de ladeiras. De ônibus, levo 15 minutos e a passagem custa €1,20 (se você fizer o cartão de estudante sai bem mais barato).

Coisas importantes a se levar em conta quando escolher o apartamento:

-Fumantes ou não-fumantes: eu não fumo e tenho horror a cigarro, quando escolhi meu apartamento a dona me disse que as pessoas com quem eu dividiria não fumavam. Chegando lá, descubro que os dois fumam... e muito... e dentro de casa. Ou seja, é importante ter certeza disso antes. Se você vai dividir apartamento com europeus, as chances são de que eles vão fumar, a maioria dos jovens daqui fumam. Por sorte, essa foi a única coisa que realmente tive que reclamar dos meus “compañeros de piso”, de resto são tranquilos e limpos (o que considero muito importante).

-Calefação: Granada no verão é quente... muito quente. Mas no inverno, é fria... muito fria. Como a cidade fica pertinho da Sierra Nevada, temperaturas baixíssimas não são incomuns. Meu primeiro apartamento não tinha calefação e no verão foi super tranquilo. No inverno, no entanto, não importava quantos cobertores colocássemos, morríamos de frio. Tivemos que mudar de apartamento por conta disso.  Além de que, aquecedor elétrico gasta muita energia, e energia na Espanha é caríssima. No mês que usamos aquecedores elétricos (que não adiantavam praticamente nada), tivemos que pagar cada um €100 só de conta de luz! Os apartamentos com calefação central já tem o gasto incluído no aluguel.

-Preço: Os preços variam, mas normalmente os apartamentos divididos saem por cerca de €150 e €250 por mês, incluindo água, energia, internet e condomínio. Mas não deixe de ver isso tudo certinho antes de alugar, porque no meu primeiro apartamento descobri várias coisinhas que tinha que pagar depois. Ah, e todos os apartamentos você tem que pagar uma fiança antes (do valor do aluguel) e eles te devolvem quando você for embora.


Transporte na cidade:

Granada é uma cidade relativamente pequena e dá para fazer praticamente tudo andando. Mas caso você precise, tem várias linhas de ônibus e taxis por todos os lados.


A Universidade:

A Universidad de Granada (UGR) é a universidade da Europa que mais recebe estrangeiros, ou seja, você encontra pessoas de todas as partes do mundo por lá. Existem vários campus pela cidade e estudantes estão por todos os lados.

Eu acho as aulas que estou fazendo muito boas, os professores são mais rígidos que a maioria que tenho no Brasil, mas pelo que me disseram, são mais “bonzinhos” com os estudantes Erasmus (estrangeiros). Ainda não recebi nenhuma nota, então só vou saber disso mais para frente. O sotaque andaluz é complicado de entender às vezes, mas nada de outro mundo. Os espanhóis não são um povo muito aberto e os estudantes espanhóis normalmente não se mexem para te ajudar e você tem que ir lá pedir e às vezes até mesmo implorar por ajuda.

Quando você chega em Granada na primeira semana tem uma palestra para explicar aos estudantes estrangeiros como é a universidade e lá te dão a carteirinha (você precisa levar a cópia do passaporte). Depois tem uma reunião no seu campus com a diretoria de relações internacionais e lá você precisa estar com o papel das matérias que você escolheu assinado pela sua universidade aprovando. Tinham me falado que podia escolher só lá e isso deu o maior problema. Tive que mandar um scan para UFF, esperar eles aprovarem as minhas matérias, mandar um scan assinado e levar de novo na diretoria da UGR. Então é bom decidir isso no Brasil.

Ah, na Espanha não é como no Brasil, com todas as matérias todos os semestres, aqui as matérias do primeiro semestre são só do primeiro semestre e as do segundo semestres são só do segundo semestre. Eu fui no primeiro sem saber e todas as que eu queria fazer eram do segundo, então é bom prestar atenção nisso.

Alimentação:

Comer e beber em Granada é muito barato. Comida no dia a dia normalmente compramos no Mercadona. Dia ou no mercado do El Corte Inglés. Não se preocupe em comprar coisas de marcas conhecidas, as marcas brancas dos mercados são de ótima qualidade e tem um preço muito melhor. No Mercadona é a Hacendado, no Dia é Dia mesmo e no El Corte Inglés é Aliada.

Carne em geral é muito cara, 1kg de frango custa cerca de €7 e os espanhóis comem muito, muito porco. Carne de boi na Espanha não é muito boa e eu normalmente como só frango e peixe.

Comer na rua não é muito complicado também, os restaurantes tem “menus” que tem um ou dois pratos mais sobremesa e bebida por preços entre €7 e €10. O meu preferido é o Veracruz, o restaurante de uma pensão do mesmo nome. O menu custa €7 e inclui dois pratos fartos e sobremesa.

Tapas... ah... as tapas. A melhor coisa de Granada. Em Granada em qualquer, qualquer mesmo, bar que você for e pedir uma bebida (cerveja, vinho, refrigerante...), eles trazem um prato de tapas (porção de comida) para acompanhar de graça. Isso só existe em Granada. Até hoje o melhor que eu fui se chama Garden. A cerveja (ou refrigerante) custa €2 e eles trazem um balde de batatas para a mesa,  um balde de salada e você ainda pode escolher a tapa para acompanhar. Lá comemos de primeira tapa um hambúrguer que vinha com batata assada e empanada de primeira tapa e de segunda iscas de peixe, com um salgadinho de queixo e batata assada. Tudo isso só comprando duas bebidas.

Vida Noturna:

Granada é uma cidade de estudantes, então o que não falta é festa. Todos os dias da semana.

As principais boates são: Mae West, Camborio, Granada 10 e Granero.

Normalmente você não paga para entrar, e cada boate tem o seu “dia”. Tirando a Mae West que é a maior e mais “chique”, normalmente os drinks lá dentro também não são caros.

A maioria das boates fazem dias especiais e shots (ou chupitos por aqui) por €1.

Fazer noitada em Granada é fácil e muito barato!

Viajar pela Europa vivendo em Granada:

-Avião: Granada tem aeroporto, mas todos os vôos que saem de lá são caríssimos, então a maioria das viagens aéreas que nós fazemos saem de Málaga. Málaga fica a 1:30h de ônibus de Granada e tem ônibus direto para o aeroporto, é muito tranquilo. Você pode pesquisar os vôos que saem de lá pelas low-cost Ryanair e Easyjet. Elas fazem vôo para praticamente todos os países mais desejados saindo de Málaga: Inglaterra, Escócia, Irlanda, Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Bélgica...

-Ônibus: Granada tem muuuuuitas excursões para estudantes. E normalmente valem muito a pena porque são muito baratas. Talvez você fique 10h, 15h... direto dentro de um ônibus, mas se a grana tá curta e você está afim de conhecer gente e se divertir, vale muito a pena! Excursões que sempre tem: Marrocos, Portugal, Madrid, Barcelona e basicamente todas as cidades da Espanha.

Gastos:

Para você viver tranquilo em Granada os gastos são cerca de €500 por mês (sem contar as viagens). Com €500 você paga aluguel, come bem, sai bastante e faz passeios com tranquilidade.


Acho que é isso, qualquer dúvida é só perguntar.

E se você ainda não está certo se vai ou não para Granada, pode ficar tranquilo e vir! Tenho certeza que não vai se arrepender! (principalmente se você tem que se bancar, afinal, é basicamente a cidade mais barata da Europa para se viver)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Granada, Espanha - A primeira semana...

Vou dar um tempo nos relatos do meu mochilão pela Europa em 2010 para poder relatar a minha viagem para a Europa agora em 2013.

Eu escolhi Granada, cidade que fica na Andaluzia, na Espanha, como destino para fazer meu intercâmbio. Na verdade, minha intenção era ir para o Canadá, mas na falta de opções que tinham na UFF, acabei parando aqui. E como tudo na minha vida, nada sai como planejado primeiramente, mas no final, termina melhor do que eu poderia esperar.

O caminho até aqui foi longo.

Quando fui comprar as minhas passagens, elas estavam carésimas. A menos cara era com stop nos Estados Unidos (meus vôos seriam Rio-Miami-Madrid-Granada). Como a data coincidiu com a que a minha mãe e minha tia estavam indo para Miami, comprei essas mesmo e aproveitei e fiquei uns dias em Miami com elas, afinal, quem não gosta de aproveitar uns diaszinhos em Miami e fazer umas comprinhas?

O meu vôo era American Airlines, o delas Tam, e a princípio eu chegaria no aeroporto 2 horas antes delas. Digo "a princípio", porque é claro, como queridinha de Murphy, algo sempre tem que acontecer comigo. Depois de cerca de 2h de vôo, um homem começou a passar mal no avião e tivemos que voltar para Brasília para fazer um pouso de emergência. Não nos disseram exatamente a causa dele ter passado mal, mas os rumores dentro do avião eram que ele tinha bebido exageradamente. Enfim, pousamos em Brasília e achávamos que logo levantaríamos vôo de novo. Mas não. Ficamos parados 3h em solo, sem poder sair do avião, enquanto esperávamos um mecânico vir inspecionar a aeronave e finalmente liberá-la novamente para voar. E nisso minha mãe e minha tia já estavam voando também e eu não tinha como avisar do atraso. A sorte foi que eu, entediada, resolvi postar no Facebook sobre o que aconteceu e uma amiga conseguiu avisar a elas. (Obrigada, Jack!)

Bom, depois disso o vôo correu bem e cheguei no aeroporto sem problemas. Achei que a imigração de Miami iria pegar um pouco no meu pé, por estar indo sozinha para lá, mas nunca fui tão bem tratada pela imigração dos EUA. Não me perguntaram praticamente nada e o policial ainda me elogiou por falar mais de uma língua.

Enfim,  encontrei com elas e acabei ficando em Miami por 4 dias, e foi uma delícia. Na hora de ir embora que deu aquele aperto no coração, e foi aí que a ficha começou a cair que eu realmente iria ficar seis meses longe de casa, numa cidade que eu não conhecia nada nem ninguém, falando uma língua que apesar de ter facilidade, não falava há mais ou menos 6 anos.

O vôo Miami-Madrid ocorreu sem maiores problemas. Muito pontual, apenas trocaram o meu assento de lugar e me colocaram na última fileira, de cara para o banheiro. O avião estava lotado, não tinha nem mais espaço para colocar a mala de mão. Percebi que o assento de emergência da primeira fileira estava vazio e perguntei ao comissário se eu podia ficar lá, já que tinham mudado o meu lugar sem nem me avisar. Ele disse que sim, desde que não aparecesse ninguém. E não apareceu! =D

Sentou uma velhinha fofa no meu lado e eu viajei com um monte de espaço para as pernas, mas não consegui dormir (o vôo saiu de Miami às 18h).

Chegamos em Madrid, a diferença de fuso já mexendo com o meu organismo. Aqui na Espanha estamos 6h na frente dos EUA, 5h na frente do Brasil. Então, quando cheguei em Madrid, apesar de já ser 9h da manhã aqui, para mim ainda eram 3h da manhã, e eu ainda não tinha dormido.

O aeroporto de Madrid, Barajas, é imenso. Muito, muito grande. E não tem muita informação, tive que sair perguntando como faria para conseguir pegar a minha conexão. Tinham falado que a imigração seria em Madrid e a alfândega em Granada, mas eu não fiz alfândega em lugar nenhum. Sobre a imigração em Madrid, disseram que eles eram super chatos aqui na Espanha, principalmente com brasileiros. Olha, se eu contar que o policial nem olhou na minha cara e carimbou o meu passaporte bem em cima do meu visto espanhol (porque eu tinha dado a ele aberto na página do visto), vocês acreditam? Ele nem respondeu o meu "Buenos Dias".

O avião que leva de Madrid à Granada é minúsculo, parece até ônibus, até a mala de mão temos que colocar no bagageiro que fica embaixo do avião. Mas o vôo leva apenas 40 min e eu estava tão, tão cansada que nem reparei se sacode mais que o normal.

Cheguei em Granada no horário previsto. O aeroporto daqui é minúsculo, mas o nosso vôo veio bem cheio e na hora de pegar um taxi foi um salve-se quem puder. Agora eu sei que aqui na cidade tem muuuuitos taxis, mas na hora que chegamos no aeroporto, eles demoravam demais para passar.

Finalmente cheguei no meu apartamento, que eu tinha alugado pela internet. Eu conheci uma brasileira que já morava aqui, a Paula, que desde então tem sido um anjo em minha vida. A Paula veio conversar com a caseira do apartamento, pegou a chave do meu quarto para mim e veio aqui trazer quando eu cheguei. Pois é, uma fofíssima.

O apartamento acabou sendo bem melhor do que eu imaginava, enorme, com um terraço bem grande. Eu divido com um italiano de Nápoles, Carmine, e uma espanhola de Málaga, Eli. Eles são uns amores, e o melhor de tudo, super organizados e limpinhos. hahaha

Quando eu cheguei aqui, num domingo, estava tudo fechado.

Aqui em Granada nada abre domingo. Se você chega e quer fazer compras no mercado, prepare-se para passar fome, porque eles não abrem. Isso, junto com o fato da cidade ser completamente diferente de tudo que eu já tinha visto, misturado com o cansaço e perceber que eu realmente não conhecia nada nem ninguém e que ficaria aqui por 6 meses, me bateu um pequeno desespero. Eu já fiz intercâmbio antes, mas foi completamente diferente. Eu fui trabalhar no Universal Studios em Orlando, mas eu fui com o apoio da agência e com outras 48 pessoas que eu já tinha conhecido no Brasil. Aqui, sou eu e eu.

Ou assim eu pensava.

Logo eu descobri que só fica solitário em Granada quem quer.

A cidade tem um quarto de sua população de estudantes, além da Universidad de Granada ser a universidade da Europa que mais recebe estudantes internacionais. Ou seja, existem centenas de pessoas aqui na mesma situação que eu.

Uma cidade universitária tem dois pontos bastante claros: as coisas são bem mais baratas que cidades grandes normais (aqui a cidade é bem pequena, se faz tudo andando, mas parece cidade grande, porque tem todas as grandes lojas e redes de fast-food) e... TEM FESTA TODOS OS DIAS.

Quando eu digo todos os dias, são todos. os. dias. De segunda a segunda.

Tem uns três grupos diferentes que sempre organizam os encontros e as festas. O melhor de tudo é que quando você sai com os grupos, você não paga para entrar nas boates, e lá dentro, um shot de tequila ou jager, por exemplo, custa €1! O mesmo para cerveja (e as cervejas são sempre top).

Na segunda-feira eu conheci a Eli, minha compañera de piso, e saímos para comer tapas e beber cerveza em um bar aqui perto de casa. Ah, aqui em Granada você pede uma cerveja e eles trazem tapas de graça. Tapas são pequenas porções de comida para você fazer degustação. Alguns lugares trazem alguma coisa aleatoriamente, outros eles deixam você escolher. Tem de tudo: queijos, croquetes, pizza, batata-frita, tortilla... Nesse dia o Carmine, o outro compañero de piso, fez um jantar de boas-vindas, e ainda conheci uma espanhola amiga da Eli e uma inglesa que eu só conhecia pelo Facebook, a Amber.

Cerveza y tapas

Na terça-feira, fui encontrar com um brasileiro da UFF, o Jonathas, que já tinha chegado aqui há duas semanas e estava super enturmado. O pessoal combinou de se encontrar em uma pizzaria com pizza a metro (as pizzas realmente tem um metro de diâmetro! E são deliciosas!)



Lá eu conheci muita gente legal: holandeses, belgas, alemães e duas mexicanas que são duas das pessoas mais fofas que já conheci, a Elena e a Danya. Depois de comer, fomos comprar bebidas e beber num lugar chamado "Botellodromo", que é o único lugar público da cidade que é permitido beber. Foi aonde eu aumentei meu vocabulário alemão e aprendi palavras lindas e delicadas como "fotze" e "schiss". De lá, partimos para uma boate, que eu achei ótima. Tocava todos os tipos de músicas. Tocou até Gusttavo Lima! (não que isso tenha tornado a boate melhor hahaha).

Botellodromo

Na quarta-feira, encontrei com a Paula, que estava empolgadíssima porque tinha entregue a tese de mestrado e tinha passado. Saímos para comemorar, claro!

Muchos chupitos de €1.

Celebrating

Quinta-feira foi dia de descansar, porque a idade já está pesando e o bolso ficando cada dia mais leve.

Na sexta-feira, a Jéssica e a Letícia chegaram para visitar Granada. Elas são duas brasileiras super fofas também, da UFF, que estão morando em Madrid.

E lá vamos nós mostrar a cidade (na sexta-feira, já estava me sentindo totalmente em casa e queria que todos adorassem a cidade, como se fosse minha mesmo) e comer tapas.


Tapas, chupiteria (loja especializada em shots, com mais de 100 tipos, todos por €1) e mais boate. Detalhe, a boate fica dentro de uma cova num topo de uma montanha, me senti fazendo uma trilha para chegar lá.

Sábado de manhã acordamos e fomos turistar, porque até então eu praticamente só conhecia o centro da cidade. A Elena e a Danya encontraram com a gente também.

Nossa primeira parada foi no bairro de Albaícin, um bairro árabe muito legal.


As lojas vendem produtos árabes típicos, e são lindas, cheias de lanternas, chás e produtos feitos com couro. Os preços são uma maravilha também!



Eu fiquei enloquecida e saí tirando fotos, até o vendedor vir resmungar dizendo que não podia. Ahhhhh!



Saímos andando para dentro do bairro, que é cheio de ruelas encantadoras.



As casas são todas bonitinhas, e entre uma ruela e outra, você encontra mansões. O que eu achei mais engraçado foi ver alguns carros lá em cima. Realmente não sei como chegaram lá.




Continuamos caminhando e avistamos a Alhambra ao longe. A Alhambra (pronunciada Alámbra, sem o H) é o principal monumento de Granada e o ponto turístico mais visitado da Espanha. Se um dia você vier a Granada e quiser visitar o famoso castelo, é bom comprar o ingresso com antecedência. Eles começam a vender 3 meses antes, e nós fomos ver para irmos no sábado e já estavam com quase todos os dias esgotados até dezembro!


Queríamos ver a Alhambra mais de perto e também conhecer Sacromonte, o lugar onde existem várias cavernas que servem como hotéis, restaurantes e boates.

É claro, lá vamos nós para mais subidas e caminhadas.


Mas chegando lá a vista super vale a pena.

Alhambra


Sacromonte me lembrou bastante a Grécia, ou pelo menos a minha imagem da Grécia, já que nunca fui lá. :P São várias cavernas de pedra, pintadas de branco.




Depois de passear, começamos nossa caminhada de volta para casa, pois a essa hora já estávamos super famintos.


Chegando lá em baixo vimos que estava tendo um casamento, e achamos muito engraçado como as pessoas de vestem diferente aqui para casamentos. Todo mundo com roupas chamativas e chapéus espalhafatosos.





Almoçamos em um restaurante português muito bom (e barato!) que tinha numa pracinha perto da Carrera del Darro, a rua mais bela da cidade.



Estou aqui há apenas uma semana, e no meu primeiro dia eu tinha muitas dúvidas de como seria a minha adaptação. Hoje, mesmo ainda tendo muitas e muitas semanas pela frente, já sei que quando voltar para casa, vou morrer de saudades daqui!