sábado, 4 de janeiro de 2014

Viver e Estudar em Granada, Espanha




Ok, eu sei que estou super em falta com o blog, mas... eu já escrevi a segunda parte do Marrocos e prometo postar em breve!


Muita gente me pergunta sobre como é viver e estudar em Granada, e eu tenho enrolado e enrolado para fazer esse post, mas agora, quase 4 meses depois, acho que está mais do que na hora de escrever (até porque o pessoal do segundo semestre daqui a pouco já está chegando).

Como eu escrevi há um tempo atrás, eu não escolhi Granada. Granada me escolheu. Minha primeira opção era Canadá. Como não consegui ir para lá, me sobraram Espanha e Portugal. Eu não queria Portugal porque queria um lugar com uma língua diferente, então só me sobrou mesmo Espanha (eu gostaria muito de ter ido para França ou Alemanha também, mas infelizmente nem meu francês e muito menos o meu alemão são bons o suficiente para assistir aulas nesses países).  Da Espanha, se eu pudesse escolher na época, certamente iria para Madrid ou Barcelona, porque na minha cabeça, ficar em cidade grande (com aeroporto grande) seria muito melhor. Ainda bem que eu não tive essa opção! Acabei em Granada, e eu não poderia estar mais feliz.

Meu maior medo de ir para uma cidade “pequena” era acabar presa lá e não conseguir viajar pela Europa. Como vocês vão ver nesse blog, não tive esse problema vivendo em Granada.  hehe Mas explico melhor como viajar pela Europa vivendo em Granada mais embaixo.

Vou começar desde como é para fazer o intercâmbio até como é viver lá.

Inscrição:

Existem vários programas de intercâmbio nas faculdades no Brasil. Se você estuda em faculdade pública, suas principais chances de fazer intercâmbio são pelo Ciências sem Fronteiras e o Mobilidade Internacional. Se você faz parte do grupo privilegiado que está incluído no CsF, não pense duas vezes e vá por ele. Além de ser muito mais tranquilo de conseguir ir, eles pagam literalmente tudo da sua viagem: passagem aérea, te dão €1.000 para você comprar um computador e material, pagam o seguro saúde e te dão uma mesada de €800 e poucos euros para viver em Granada (com esse dinheiro você é rei em Granada, mas explico mais um pouco a parte financeira mais para frente).

Mas, se você fizer parte do grupo de humanas como eu, sobra o Mobilidade Internacional.  No mobilidade internacional eles selecionam um pequeno grupo de pessoas e dão uma bolsa de R$8.000,00. Com o euro como está, é impossível pagar passagem e viver 6 meses na Europa (mesmo em Granada) com esse dinheiro, mas ajuda bastante. Porém, para conseguir esse dinheiro, você precisa comprovar que não tem condições de pagar a viagem e ter um CR excelente.

No meu caso, tive que me bancar mesmo.

As inscrições do Mobilidade Internacional (pelo menos na UFF) vão de dezembro a janeiro, não importa se você quer ir no primeiro ou no segundo semestre. O resultado sai lá para abril/maio. Sim, até lá é uma ansiedade sem fim.

Depois de ser aceito, você precisa ir na universidade levar documentos e assinar outros.

Depois de aprovado completamente, a Universidade que você se inscreveu lhe manda uma carta de aceite e aí é hora de pedir o visto.

Visto:

O visto espanhol é meio chato de tirar. Não que seja difícil, mas o consulado é uma bagunça. O do Rio de Janeiro fica na torre do Rio Sul e você não precisa agendar, apenas chega lá e pega uma senha. Antes de ir eu procurei em todos os lugares o que precisava levar, mas chegando lá eu descobri que precisava de muito mais coisas. E eles são super chatos quanto a tudo.

Cheguei no consulado às 8:30 da manhã, abre às 8:00, e fui atendida umas 10h e pouca. Eu não tinha levado o Imposto de Renda do meu pai (que ia me ajudar a me manter durante a viagem) e não aceitaram o meu comprovante do plano de saúde (você precisa levar o comprovante de pagamento). Eu fiz o meu plano pela internet e tinha levado apenas o comprovante online e o número da minha carteirinha. Tive que ligar para eles e pedir para enviarem diretamente um comprovante de pagamento para o consulado. Eles foram ótimos, falo do plano mais para frente também.

Enfim, depois de correr atrás de tudo, consegui voltar com todos os documentos ao consulado exatamente às 13h, quando o consulado fecha.

Lá eles pegam os documentos e cópias (se eu não esqueci: formulário preenchido, carta de aceite da universidade, comprovante de inscrição na universidade atual, passaporte com validade de no mínimo 6 meses, Imposto de Renda do último ano, extrato bancário dos últimos 3 meses, comprovante de pagamento do plano de saúde, identidade, cpf e comprovante de residência. Se você for pedir visto de mais de 6 meses tem mais um monte de coisas...) e falam para você ir buscar em 10 dias o visto. Quando você sai do consulado você não sabe se o visto foi aceito ou não, só quando vai buscar mesmo.

Eu falei que eles são super enrolados, então é bom correr para fazer assim que receber a carta de aceite da universidade. A primeira vez que eu fui busca o meu o sistema deles estava fora do ar, depois era feriado... enfim, consegui meu passaporte de volta duas semanas antes da viagem.

Plano de Saúde:

Existem diversos planos de diversos preços que cobrem intercâmbio. Tinham me indicado o Assist-Card e fiz com eles mesmo. Fazendo online saiu cerca de R$190,00 por mês para 6 meses (R$1.120,00 tudo). Vi gente que fez pelo telefone e conseguiu mais barato chorando o preço, então vale a pena tentar. Existem planos mais baratos, mas eu preferi não arriscar.

Até agora não tenho do que reclamar deles. O problema que eu tive no consulado eles resolveram assim que falei com eles, enviaram o e-mail logo depois que eu pedi.

Na minha segunda semana em Granada eu torci o pé e eles foram ótimos, rapidinho encontraram um hospital perto e mandaram tudo para lá diretamente. Eu só precisei dar meu nome e mostrar o passaporte no hospital. Fiz consulta, raio-x, enfaixaram meu pé e não precisei pagar nada.


Passagem:

Ok, esse é um problema de Granada. Tem aeroporto em Granada, mas é pequeno e normalmente as passagens para lá são bem mais caras. Você pode dar sorte (minha amiga vem me visitar e pagou R$2.000,00 e pouco), mas normalmente custam mais de R$3.000,00. O melhor vôo para Granada é o Ibéria que faz Rio-Madrid-Granada, mas você tem que dar sorte com o preço. Quando eu vi estava R$5.000,00  e acabei comprando uma com escala em Miami. Pois é.

Uma opção é pegar um vôo para Málaga, que fica a 1:30h de ônibus de Granada e normalmente é mais barato. Do aeroporto de Málaga tem ônibus direto para Granada (€11,19 o trecho), mas precisa ficar de olho nos horários. Mas, na pior das hipóteses você pode pegar um taxi para a estação de Málaga e de lá um ônibus para Granada, eles saem de hora em hora.

Outra opção é pegar um vôo para Madrid, é bem mais longe, mas também tem ônibus direto do aeroporto para Granada, leva cerca de 5h.


Apartamento em Granada:

Escolha um apartamento no centro. Mesmo que o seu campus seja em Cartuja como o meu (fica um pouco longe do centro), é melhor ficar no centro, porque você pode fazer tudo andando e fica perto de tudo: mercados, bares, boates... Eu moro no Centro e até daria ir para a faculdade andando, mas levaria uns 50 minutos e Granada é cheia de ladeiras. De ônibus, levo 15 minutos e a passagem custa €1,20 (se você fizer o cartão de estudante sai bem mais barato).

Coisas importantes a se levar em conta quando escolher o apartamento:

-Fumantes ou não-fumantes: eu não fumo e tenho horror a cigarro, quando escolhi meu apartamento a dona me disse que as pessoas com quem eu dividiria não fumavam. Chegando lá, descubro que os dois fumam... e muito... e dentro de casa. Ou seja, é importante ter certeza disso antes. Se você vai dividir apartamento com europeus, as chances são de que eles vão fumar, a maioria dos jovens daqui fumam. Por sorte, essa foi a única coisa que realmente tive que reclamar dos meus “compañeros de piso”, de resto são tranquilos e limpos (o que considero muito importante).

-Calefação: Granada no verão é quente... muito quente. Mas no inverno, é fria... muito fria. Como a cidade fica pertinho da Sierra Nevada, temperaturas baixíssimas não são incomuns. Meu primeiro apartamento não tinha calefação e no verão foi super tranquilo. No inverno, no entanto, não importava quantos cobertores colocássemos, morríamos de frio. Tivemos que mudar de apartamento por conta disso.  Além de que, aquecedor elétrico gasta muita energia, e energia na Espanha é caríssima. No mês que usamos aquecedores elétricos (que não adiantavam praticamente nada), tivemos que pagar cada um €100 só de conta de luz! Os apartamentos com calefação central já tem o gasto incluído no aluguel.

-Preço: Os preços variam, mas normalmente os apartamentos divididos saem por cerca de €150 e €250 por mês, incluindo água, energia, internet e condomínio. Mas não deixe de ver isso tudo certinho antes de alugar, porque no meu primeiro apartamento descobri várias coisinhas que tinha que pagar depois. Ah, e todos os apartamentos você tem que pagar uma fiança antes (do valor do aluguel) e eles te devolvem quando você for embora.


Transporte na cidade:

Granada é uma cidade relativamente pequena e dá para fazer praticamente tudo andando. Mas caso você precise, tem várias linhas de ônibus e taxis por todos os lados.


A Universidade:

A Universidad de Granada (UGR) é a universidade da Europa que mais recebe estrangeiros, ou seja, você encontra pessoas de todas as partes do mundo por lá. Existem vários campus pela cidade e estudantes estão por todos os lados.

Eu acho as aulas que estou fazendo muito boas, os professores são mais rígidos que a maioria que tenho no Brasil, mas pelo que me disseram, são mais “bonzinhos” com os estudantes Erasmus (estrangeiros). Ainda não recebi nenhuma nota, então só vou saber disso mais para frente. O sotaque andaluz é complicado de entender às vezes, mas nada de outro mundo. Os espanhóis não são um povo muito aberto e os estudantes espanhóis normalmente não se mexem para te ajudar e você tem que ir lá pedir e às vezes até mesmo implorar por ajuda.

Quando você chega em Granada na primeira semana tem uma palestra para explicar aos estudantes estrangeiros como é a universidade e lá te dão a carteirinha (você precisa levar a cópia do passaporte). Depois tem uma reunião no seu campus com a diretoria de relações internacionais e lá você precisa estar com o papel das matérias que você escolheu assinado pela sua universidade aprovando. Tinham me falado que podia escolher só lá e isso deu o maior problema. Tive que mandar um scan para UFF, esperar eles aprovarem as minhas matérias, mandar um scan assinado e levar de novo na diretoria da UGR. Então é bom decidir isso no Brasil.

Ah, na Espanha não é como no Brasil, com todas as matérias todos os semestres, aqui as matérias do primeiro semestre são só do primeiro semestre e as do segundo semestres são só do segundo semestre. Eu fui no primeiro sem saber e todas as que eu queria fazer eram do segundo, então é bom prestar atenção nisso.

Alimentação:

Comer e beber em Granada é muito barato. Comida no dia a dia normalmente compramos no Mercadona. Dia ou no mercado do El Corte Inglés. Não se preocupe em comprar coisas de marcas conhecidas, as marcas brancas dos mercados são de ótima qualidade e tem um preço muito melhor. No Mercadona é a Hacendado, no Dia é Dia mesmo e no El Corte Inglés é Aliada.

Carne em geral é muito cara, 1kg de frango custa cerca de €7 e os espanhóis comem muito, muito porco. Carne de boi na Espanha não é muito boa e eu normalmente como só frango e peixe.

Comer na rua não é muito complicado também, os restaurantes tem “menus” que tem um ou dois pratos mais sobremesa e bebida por preços entre €7 e €10. O meu preferido é o Veracruz, o restaurante de uma pensão do mesmo nome. O menu custa €7 e inclui dois pratos fartos e sobremesa.

Tapas... ah... as tapas. A melhor coisa de Granada. Em Granada em qualquer, qualquer mesmo, bar que você for e pedir uma bebida (cerveja, vinho, refrigerante...), eles trazem um prato de tapas (porção de comida) para acompanhar de graça. Isso só existe em Granada. Até hoje o melhor que eu fui se chama Garden. A cerveja (ou refrigerante) custa €2 e eles trazem um balde de batatas para a mesa,  um balde de salada e você ainda pode escolher a tapa para acompanhar. Lá comemos de primeira tapa um hambúrguer que vinha com batata assada e empanada de primeira tapa e de segunda iscas de peixe, com um salgadinho de queixo e batata assada. Tudo isso só comprando duas bebidas.

Vida Noturna:

Granada é uma cidade de estudantes, então o que não falta é festa. Todos os dias da semana.

As principais boates são: Mae West, Camborio, Granada 10 e Granero.

Normalmente você não paga para entrar, e cada boate tem o seu “dia”. Tirando a Mae West que é a maior e mais “chique”, normalmente os drinks lá dentro também não são caros.

A maioria das boates fazem dias especiais e shots (ou chupitos por aqui) por €1.

Fazer noitada em Granada é fácil e muito barato!

Viajar pela Europa vivendo em Granada:

-Avião: Granada tem aeroporto, mas todos os vôos que saem de lá são caríssimos, então a maioria das viagens aéreas que nós fazemos saem de Málaga. Málaga fica a 1:30h de ônibus de Granada e tem ônibus direto para o aeroporto, é muito tranquilo. Você pode pesquisar os vôos que saem de lá pelas low-cost Ryanair e Easyjet. Elas fazem vôo para praticamente todos os países mais desejados saindo de Málaga: Inglaterra, Escócia, Irlanda, Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Bélgica...

-Ônibus: Granada tem muuuuuitas excursões para estudantes. E normalmente valem muito a pena porque são muito baratas. Talvez você fique 10h, 15h... direto dentro de um ônibus, mas se a grana tá curta e você está afim de conhecer gente e se divertir, vale muito a pena! Excursões que sempre tem: Marrocos, Portugal, Madrid, Barcelona e basicamente todas as cidades da Espanha.

Gastos:

Para você viver tranquilo em Granada os gastos são cerca de €500 por mês (sem contar as viagens). Com €500 você paga aluguel, come bem, sai bastante e faz passeios com tranquilidade.


Acho que é isso, qualquer dúvida é só perguntar.

E se você ainda não está certo se vai ou não para Granada, pode ficar tranquilo e vir! Tenho certeza que não vai se arrepender! (principalmente se você tem que se bancar, afinal, é basicamente a cidade mais barata da Europa para se viver)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Marrocos - Aventura no Saara - Parte 1

Eu ando completamente atrasada com os relatos aqui no blog... foram tantos passeios aqui pela Espanha e tenho tantas coisas novas para falar sobre Granada... ainda vou escrever tudo, mas primeiro preciso compartilhar essa aventura incrível que foi a minha viagem ao Marrocos.

Eu tinha 10 anos quando passou a novela O Clone e eu me encantei pela cultura super diferente e as cores desse país que parecia uma realidade completamente distante para mim. Nunca imaginei que um dia conseguiria fazer essa viagem, e não de maneira tão "fácil" e tão em conta.

Para quem vem para a Europa, principalmente para Portugal ou Espanha, chegar no Marrocos realmente é bem tranquilo. Eu fui de excursão com um grupo de estudantes (éramos 18 no total) e saímos de ônibus de Granada rumo à África. O preço da viagem me surpreendeu: €269 euros, 5 dias, 4 noites, com tudo incluso: transporte, guia, hotel, passeios e refeições. Até agora estou fazendo conta para entender como esse dinheiro deu para pagar tudo o que nós fizemos, mas talvez hotéis sejam realmente baratos por lá, não perguntei realmente os preços. O meu pacote era para conhecer o Saara e algumas cidades que iríamos parando pelo caminho (no total foram quase 3.000km percorridos na viagem... haja música no iPod, videos fofos dos priminhos no celular, brincadeiras de viagem, aulas de alemão e português e sono para fazer o tempo passar na viagem).

Nosso ônibus saiu de Granada às 6:45h da manhã. Ainda estava escuro e fazendo 6˚C. Ui ui ui. E eu estava tão ansiosa que não tinha nem conseguido dormir à noite.


Paramos em Málaga para buscar o resto do pessoal e seguimos para o porto de Tarifa, onde pegamos a barca que leva até Tanger, no Marrocos. De Granada a Tarifa são cerca de 4:30h. O porto é super tranquilo e se eu não me engano tem barca saindo quase de hora em hora. Nós nos atrasamos um pouco e em vez de sair na barca das 12h como estava previsto, tivemos que esperar a das 13h. O trajeto dura 45 minutos e custa €3 o trecho.



Não é necessário visto para ir ao Marrocos, pelo menos não para nós brasileiros. Nós passamos pela imigração para sair da Espanha e a imigração no Marrocos é feita dentro da barca.



Nós vamos na parte de cima, e em baixo vão carros, ônibus etc...

Eu estou acostumada com a barca Rio-Niterói, que ok, "Não dá para comparar o estreito de Gibraltar com a Baía de Guanabara, Camilla!" - como diria a minha amiga Paula, mas é impossível não comparar. Diferentemente da loucura que são as nossas barcas, o trajeto de ida foi uma tranquilidade só (na ida, na volta, é claro, tivemos problemas. Como sempre).



A barca possui três lanchonetes, duas no segundo andar e uma no terceiro, mas as opções de comida não são muitas: sanduíches e biscoitos, refrigerante e água. E as coisas são bem carinhas.


Deixando Tarifa


Lá dentro tem também um Duty Free que vende perfumes, bebidas, chocolates e cigarros.



Enfim chegamos em Tanger e tudo correu super bem. O nosso micro-ônibus estava nos esperando para seguir viagem para Méknes e o nosso guia nos levou para trocar o nosso dinheiro.

Porto de Tanger



A casa de cambio fica ali no estacionamento do porto mesmo. Nós trocamos o dinheiro, mas em várias partes do Marrocos eles aceitam euros sem problemas. Trocamos €1 por 10,95 dirhams, e quando usávamos euros em lojas, eles faziam €1 = 10 dirhams.



Nessa hora já eram quase 2 da tarde e estávamos todos morrendo de fome. Um dos meus maiores medos dessa viagem era quanto à alimentação. Sempre ouvi falar que era difícil comer no Marrocos, que os restaurantes eram sujos etc... Acho que essa foi uma das melhores coisas de termos ido em uma excursão e com um guia local, o Nasser. O almoço do primeiro e último dia (que seriam em Tanger), não estavam inclusos, mas o Nasser nos levou em um restaurante bem legal que tinha por lá. E em frente tinha também um Pizza Hut (se alguém for e não quiser mesmo comer comida típica). 

Eu pedi um frango com batatas - não tinha como errar e estava bem gostoso, apesar de vir um prato imenso de comida. E é muito barato. O meu foi meio frango com batatas e arroz típico e custou 50 dirhams, algo como €4,50.

Coca-Cola em árabe

Tanger me surpreendeu muito. Sempre tive aquela imagem estereotipada e imaginava um lugar meio que parado no tempo e com todas as mulheres andando de véu. Realmente, a cidade ainda está um pouco atrasada, e sim, tem mulheres andando de véu pelas ruas, mas também tem carros luxuosos, grandes redes de fast-food e muitas pessoas andando com roupas normais (para nós) e sem véu. 

Depois do almoço fomos direto para o ônibus para irmos à Méknes, pois o caminho até o Saara era longo. Paramos em um supermercado para irmos ao banheiro e algumas pessoas aproveitaram para comprar biscoitos, ver o preço das bebidas (caríssimas - e para alguns muçulmanos, bebida alcoólica é um pecado terrível) e eu aproveitei para comprar uma toalha, já que tinha esquecido e o primeiro albergue não teria.

Marjane, imagino que é o Wal-Mart marroquino, vi bastante pelo caminho



Nossa segunda parada antes de chegar ao albergue em Méknes foi para jantar. Não parecia um restaurante, mas uma grande casa na fazenda ou algo parecido. O Marrocos é uma monarquia e em praticamente todos os lugares que íamos tinha uma foto enorme do rei. Inclusive na entrada desse lugar que fomos comer.

O jantar estava bom, sopa, depois frango (sempre frango...) e legumes. De todas as refeições, foi a mais fraca. 



A princípio era para termos chegado ainda pela tarde em Méknes, mas devido ao nosso atraso, chegamos tarde e a medina que íamos conhecer já estava fechada. Fomos lá só para ver mesmo e seguimos para o hotel.


Medina de Méknes



Nosso albergue em Méknes foi o pior lugar que eu já dormi na minha vida. Estava uns 4˚C e o chuveiro - do lado de fora e um nojo - só tinha água congelante. E a criatura aqui foi lavar a cabeça ainda. Nem preciso dizer que quase morri congelada. Encontrei uma aranha no quarto e não tive coragem de usar o cobertor que tinha lá, ou seja, não dormi praticamente, porque estava passando mal de frio a noite inteira. 

E ainda esqueci minha toalha novinha lá. €7 jogados no lixo. :(

Em frente ao albergue tinha um bar, nós fomos, mas era tão estranho que só pedi uma cerveja local para provar e fui embora. Era um ambiente escuro e com tudo mundo fumando lá dentro. Aliás, os marroquinos fumam em todos os lugares.

No dia seguinte acordamos super cedo de novo para seguir viagem para o deserto e eu não poderia estar mais feliz em saber que não voltaríamos mais naquele hotel horroroso. O lado bom da noite mal dormida foi que eu consegui dormir no ônibus, coisa raríssima, e nós passamos quase 13hrs viajando nesse dia.

Mas foi também nesse dia que fomos realmente conhecer o Marrocos e suas belezas, e a cada parada que fazíamos, nos encantávamos mais e mais pelo lugar.



Paramos no meio da estrada para visitar uns macacos, que viviam ali, em total liberdade. Foi um momento muito gostoso, poder ver os bichos soltos, enquanto na maioria das vezes só conseguimos ver os pobres dentro de jaulas em zoológicos (o que me deprime).




Fazendo pose

Baby Mono

Conseguir tirar foto perto deles é um sufoco, pois eles são divas e olham para o lado quando você aponta a máquina para eles e fogem quando você chega perto. Mas entendo, provavelmente ficam pensando "o que esse bando de humanos estão fazendo aqui, disturbando o meu dia?"



Mas... não deixam de ser adoráveis.








Paramos para comer em um restaurante maravilhoso no meio da estrada (que voltamos no último dia). Não me perguntem o nome nem onde ele fica, pois eu não faço a menor idéia. Mas a comida estava uma delícia.



Não curto colocar fotos de comida, mas é para terem uma idéia.

Continuamos na estrada e eis que no meio do caminho uma ovelha VOA do caminhão que estava na nossa frente. Não, não estou brincando. A pobrezinha literalmente pulou de cima do caminhão e por sorte caiu no mato ao lado da estrada. Ficamos todos desesperados dentro do ônibus e todo mundo desceu para ver o que tinha acontecido. Por sorte, a ovelhinha sobreviveu e, aparentemente, só tinha um machucado no rosto. 




Também, olha como o povo leva os bichos...

O dia começou a escurecer e ficamos um pouco chateados, pois perderíamos o pôr-do-sol no deserto. 

Porém, vê-lo de dentro do ônibus não foi tão ruim assim...




Finalmente chegamos no tão esperado destino: O deserto do Saara.

Já estava escuro e primeiro paramos no hotel onde passaríamos a noite seguinte e onde pegaríamos os camelos que nos levariam para o acampamento no deserto. Ali tem um pequeno povoado, mas o hotel, Nasser Palace (que o nosso guia disse ser dele, mas eu não levei muita fé - ele disse que o Tom Cruise ficou lá... hauhauha EDIT: Segundo a Paula, que ouviu a história diretamente, a Penélope Cruz estava lá filmando o filme Sahara, o Tom Cruise foi visitar e o próprio Nasser contou que ela estava traindo ele com o diretor do filme... o que levou ao fim o relacionamento dos dois) era bem legal. Deixamos as malas no hotel, pegamos o necessário para o deserto (casacos, pois a noite no deserto é congelante, água - 3 litros por pessoa - repelente de mosquitos e saco de dormir, para quem tinha levado).

Andar de camelo é uma experiência incrível. Eu achava que seria como andar à cavalo, mas é bem diferente. Não se preocupem quanto a subir neles, eles ficam "deitados" no chão com os joelhos dobrados,  então é muito fácil de subir. Agora quando ele levanta é que você percebe que não, não é um cavalo. É muito maior e mais alto. 

Eu tinha ficado triste que iríamos pelo deserto à noite, mas quando eu olhei para o céu... não tenho nem palavras para descrever. É a coisa mais linda do mundo. Estrelas, estrelas e mais estrelas. Estrelas cadentes o tempo inteiro. Eu não conseguia parar de olhar para cima.

Como estava escuro, a gente só sabia se o camelo estava subindo ou descendo a duna quando sentíamos a mudança do passo deles. Eu era a primeira da fila e gritava para o pessoal que estava atrás não se assustar (tinha gente com medo). 

O trajeto durou 1:30h e foi um guia levando a gente, caminhando (eu não sei como a criatura aguenta andar 1:30h subindo e descendo duna. Eu fui subir uma duna gigante e quase morri, mas essa parte é no próximo relato).

Chegamos no acampamento, mostraram para a gente as nossas barracas e avisaram que o jantar estava para ser servido. 

"Restaurante"

Super caprichado!



De novo, eu estava meio desconfiada da comida. Como eles iriam cozinhar no meio do deserto?

Outra surpresa, pois novamente, a comida estava uma delícia, principalmente a sopa de entrada.







Depois do jantar, todo mundo vai para fora das barracas e senta em volta da fogueira, os locais começam a tocar músicas e ficamos conversando e apreciando o céu mais lindo do mundo.







As meninas levaram uma garrafa de champanhe e abrimos para tomar lá, num copo de água. Bebemos, deitamos no chão para poder olhar melhor o céu, assistir a chuva de meteoros - tantas estrelas cadentes que nem tínhamos mais pedidos para fazer - e falamos besteira, rimos e nos divertimos, pensando em como um dia contaríamos aos nossos netos sobre aquela noite maravilhosa que passamos no deserto do Saara e que ninguém iria acreditar. 

Porque champanhe no copo é mais chique 


Fomos dormir - a nossa barraca mil vezes melhor que o primeiro hotel, por incrível que pareça. Fez muito frio a noite, mas as mantas que eles dão são suficientes (fiquei com um pouco assim de usar essas mantas, sabe-se lá quando eles lavam, mas o frio foi mais forte).

Ah, e a barraca do lado da nossa recebeu uma visita ilustre:



Hahaha.

Fecho esse relato com o céu mais lindo do mundo... impossível de reproduzir com a minha câmera, mas dá para ser ter uma idéia.



Posto a segunda parte em breve!